Thursday, May 28, 2009

À minha maneira

Ligo o leitor da sala e já há um cd lá dentro: Xutos. É do meu pai. Resolvo ouvir um bocado e... Cá está! Como é que eu nunca ouvi devidamente esta letra?! É isto mesmo. É este o espírito de que preciso para enfrentar os próximos dias.

Já sei que hei de arder na tua fogueira
Mas será sempre sempre à minha maneira
E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão voltar
À minha maneira

O Sol chegou finalmente

O Sol chegou e acordou todos os insectos. Esvoaçam e tecem as suas teias, colam-se às paredes brancas e às peles transpiradas.
A cidade sufoca. As ruas estão desertas depois do almoço e as paredes caiadas das ruas estreitas cegam. O calor abafa, o corpo é atraído para o areal que escalda a planta dos pés e contrasta com a água ainda gelada. A gaivota atrevida delicia-se com as cerejas dos mais distraídos e patrulha o espaço que, afinal, é seu.
Quando o dia termina e a noite cai abre-se a janela de par em par. Ela fecha os olhos e escuta: ouve-se o mar.

Saturday, April 18, 2009

E o que é que sabia mesmo bem por estes dias? Um pouquinho de Sol... Isso é que era!

Thursday, April 9, 2009

Filmalhaço

Gran Torino entrou directamente para o top dos filmes da minha vida.
É um filme sobre uma sociedade em mudança, sobre racismo e xenofobia, multiculturalidade, preconceito e tolerência.
É um filme que mostra que quando a violência é o padrão e a agressão gera reacção, é preciso coragem e inteligência para escolher usar outras armas.
É um filme que fala de princípios, de família, de comunidade, de amizade. Do valor do trabalho e do crescimento, de integridade e humanidade.
É um filme que nos ensina sobre a vida e sobre a morte, que faz sorrir e comove, que dá que pensar.
Clint Eastwood positivamente supreendente, como sempre. Um clássico, como um Gran Torino.

Berlusconi no seu melhor

Da última vez que ouvi, o balanço do simo em Itália e suas sucessivas réplicas era de 250 mortes, mais de 1 000 feridos graves e 17 000 desalojados.
Estes últimos encontram-se em tendas comunitárias, enquanto lidam com uma serie de dificuldades, ente elas o choque da destruição a que assistiram, o luto pelas perdas que viveram e o medo de um futuro próximo que se lhes assemelha triste e incerto.
Neste contexto, as declarações do primeiro ministro italiano são de uma insensibilidade e futilidade assustadoras. Do alto do seu conforto, proclamou que "não lhes falta nada. Têm cuidados médicos, comida quente... Claro que o actual lugar de abrigo é provisório, mas há que encarar a situação como um fim-de-semana no parque de campismo”.
No entanto, o senhor Berlusconi não se junta aos seus queridos compatriotas numa churrascada no grande e divertido parque de campismo neste fim de semana de Páscoa... por razões de segurança. Claro.

Tuesday, April 7, 2009

Esta noite houve um homem que não dormiu. Passou a noite em claro, a pensar se a sua esposa ainda estaria viva. Deve ter revisto cenas da sua vida em comum centenas de vezes ao longo das horas que se arrastaram na noite escura e aposto que chorou.
Do outro lado da cidade, a mulher permanecia num outro leito, rodeada de fios e tubos enquanto o seu corpo contrariava todas as previsões e lutava pela vida.
Ao longo da madrugada uma enfermeira passava junto dela, atentava nos valores que piscavam em luzes coloridas no ecrã do monitor e supreendia-se.
Quando a manhã chegou, o homem saiu de casa, rumo ao hospital, na ânsia de saber mais notícias.
Ao mesmo tempo, a enfermeira saíu e foi dormir. Sonhou com eles.

Sunday, April 5, 2009

Dúvidas

1. Moscavide-Laranjeiras, 18 horas: uma hora e um quarto de caminho em pára-arranca. Como é que há gente que aguenta isto todos os dias, duas vezes por dia?!

2. Para onde foi a palavra empenho? Saíu do dicionário português, saiu de circulação? É que por todo o lado as pessoas parecem ter aderido ao fenómeno do "empenhamento"...