Sunday, August 16, 2009

Raul Solnado

Não criei nenhum post sobre o desaparecimento do Raul Solnado, aquele que todos os portugueses parecem tratar por "tu" mas que foi um verdadeiro senhor: ecos da sua proximidade com cada um dos que cresceu a vê-lo e a rir com ele.
Continuaria, provavelmente, sem escrever sobre este tema tantos dias passados já sobre o sucedido, mas acontece que hoje me deparei com uma informação à qual não consigo ficar indiferente: a frase que Raul Solnado disse desejar ter como epitáfio.

"Aqui jaz Raul Solnado, muito contra sua vontade."


Tão característico, tão simples, tão grandioso, tão irónico, tão sentido... Dispensa mais comentários.


Wednesday, July 1, 2009

Sounds so familiar...

Everybody thinks that
Everybody knows about
Everybody else
But nobody knows anything about themselves
Because they're all worried about everybody else.

(Jack Johnson, Wasting Time)

Monday, June 29, 2009

"Se um sonho de esperança te surgir, não creias nele, porque tudo é nada, e nunca vem aquilo que há-de vir" (F. Pessoa)

Há vidas que trazem em si um sopro de esperança, que nascem embaladas em nuvens de sonho e ondas de cor. Mas há acontecimentos que as desviam por caminhos tortuosos, as comprimem e as esmagam. Como se viver fosse sofrer, como se as escolhas em determinado momento deixassem de nos pertencer e algo maior manobrasse os nossos passos, sufocando a fé.
Há quem se resigne e há quem lute, há quem resista e há quem refute. E, apesar do incansável esforço, chega o dia em que nada mais resta do que ceder e vergar ao peso desse fardo demasiado pesado que é viver uma vida que não mais se consegue reinventar e que em nada corresponde à que se desejou...
Até que tudo se desvanece, tal como havia começado: num sopro.

Je t'aime!



Paris, Maio 2009

Friday, June 26, 2009

Michael Jackson

Goste-se ao não, a verdade é que foi uma figura incontornável da música com repercussões mundiais. Marcou uma geração e deixa como legado a sua música e a sua influência no trabalho de tantos outros nomes.
Não sou fã, nunca fui. Mas a notícia da sua morte não me deixa indiferente e desperta uma memória remota da minha infância: um grupo de "mortos vivos" a dançar uma coreografia complexa e engraçada na televisão, ao ritmo de uma canção que ficava no ouvido.
Para lá das polémicas e tópicos pessoais, foi inegavelmente um artista completo. Compositor, cantor, bailarino, entertainer... e certamente eterno.

Thursday, May 28, 2009

À minha maneira

Ligo o leitor da sala e já há um cd lá dentro: Xutos. É do meu pai. Resolvo ouvir um bocado e... Cá está! Como é que eu nunca ouvi devidamente esta letra?! É isto mesmo. É este o espírito de que preciso para enfrentar os próximos dias.

Já sei que hei de arder na tua fogueira
Mas será sempre sempre à minha maneira
E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão voltar
À minha maneira

O Sol chegou finalmente

O Sol chegou e acordou todos os insectos. Esvoaçam e tecem as suas teias, colam-se às paredes brancas e às peles transpiradas.
A cidade sufoca. As ruas estão desertas depois do almoço e as paredes caiadas das ruas estreitas cegam. O calor abafa, o corpo é atraído para o areal que escalda a planta dos pés e contrasta com a água ainda gelada. A gaivota atrevida delicia-se com as cerejas dos mais distraídos e patrulha o espaço que, afinal, é seu.
Quando o dia termina e a noite cai abre-se a janela de par em par. Ela fecha os olhos e escuta: ouve-se o mar.