Saturday, July 26, 2008

Se pudesse voava contigo por sobre esta cidade de desencontros e encontraria uma nuvem fofinha onde te deixasse a dormir calmamente até à chegada do tão aguardado príncipe ou sapo que vai fugir contigo para uma praia e fazer-te finalmente "feliz para sempre".
Mas não posso. Resta-me então sofrer contigo cada desilusão e comemorar cada alegria, sempre no sobressalto de te ver sorrir ou chorar, de quereres beber um copo para festejar ou de precisares de um pouco de colo.
Sabes uma coisa? Tenho muito medo que te magoes (ainda) mais, mas não consigo deixar de admirar a tua determinação em lutar até ao fim.
Torço por ti, aconteça o que acontecer. E porque te desejo o melhor, como se para mim desejasse, porque és a Amiga... estou aqui. "Por luas e sóis e mundos a haver".

Wednesday, July 23, 2008

A outra cidade

Onde outros vêem a vida cosmopolita, as multidões e a multiculturalidade, para além do confuso metro, do burburinho do trânsito ou do brilho dos musicais, existe uma outra cidade.
Nela é possível respirar a plenos pulmões, ouvir os sinos tocar, correr, jogar, ler... ou simplesmente sentar e desfrutar.




Dá vontade de ficar.

(Londres, 2008)

Friday, July 11, 2008


Um cão, eu sempre disse, é prosa; Um gato é um poema. (Jean Burden)

"Se não te deste a ninguém magoaste alguém. A mim passou-me ao lado"

Cd's arrumados. Esquissos, Toranja, 2004. Histórias antigas, escondidas cá dentro. Quase esquecidas, nunca esquecidas. Canções que redescubro, de que gosto, ouvidas hoje com o prazer do som familiar, cantando a dor que senti um dia. Mas é bom ouvi-las denovo, tanto tempo depois, com o coração leve. Passou. Já não doem nada. Nada, como tu.

Sol

Hoje o Sol cheira a maresia, sabe a sal e tem o doce toque da brisa nos cabelos esvoaçantes. Aquece o corpo, ilumina o espírito e reflete nos olhos a cor e a liberdade do mar. No horizonte, apenas imensidão. Amanhã regressa o mundo real mas, para já, deixo-me apenas estar sob o Sol.
(10 Jul. 08)

Wednesday, June 4, 2008

Avô

Avô (diz, neta), no outro dia sonhei consigo. Fiquei perturbada. Foi tão real que quando acordei e percebi que não tinha passado de um sonho senti tantas saudades...
Às vezes parece que as pessoas se habituam a estar sem as outras, não é? Longe da vista, longe do coração, ocupadas no burburinho do dia a dia, sem grande tempo para recordações. Mas não há hábito que vença este vazio que se instala quando vou lá a casa e dou com a avó sozinha, quando passeio pelo quintal e descubro vestígios de si (estarão lá ou estarão em ti?), quando se reúne a família e se festeja alguma data, quando revejo as fotografias do tempo em que fazia connosco o presépio, contava as suas histórias e anedotas, me levava a ver os cabritinhos bebés ou me deixava andar de carroça. Tanta coisa mudou...
Sinto a sua falta, avô. A minha mãe também, a avó então nem se fala! Eu bem as vejo às vezes a olhar para mim, quando faço um comentário mais trocista, com aquela cara de quem está a ver um bocadinho de si por detrás destes olhos tão iguais aos seus.
Penso muitas vezes que tenho pena de não ter tido a idade e a compreensão necessárias para me despedir de si. E sabe outra coisa que também me ocorre de vez em quando? Não sei se lhe disse alguma vez claramente, mas gosto muito, mesmo muito de si (eu sei...).

A viagem

Entre o partir e o chegar, a viagem. O prazer de conduzir, os momentos verdadeiramente a sós, a mente em branco, o corpo em piloto-automático. Pensamentos sobre tudo e sobre nada, o passado que se lembra ao som de uma música, o futuro que se sonha ao som de outra, a voz que não se cansa de as repetir, a paisagem que se conhece de cor mas onde se encontra ainda e sempre um elemento novo. Para trás um dia de Sol, pela frente as luzes da cidade dispersas pela noite. Desliga-se o motor do carro e quebra-se o encanto, de regresso ao mundo.